Naquele dia - dias da infância - não gostei muito da ideia de
deixar minha casa, pois sou uma pessoa caseira, gosto muito de ficar na minha casinha. Mas ao chegar na fazenda, consegui me sentir livre; me
apaixonei por aqueles animais, o lugar era lindo, as árvores, o canto dos
pássaros, o lago, tudo me encantava. Enquanto andava por lá, admirando a beleza
do lugar, avistei uma égua, chamavam-na de Lilica, era linda, toda marrom, com
uma crina estupenda.
Lilica e eu ficamos muito próximas, ela me entendia, acho que ela era o que
eu tinha de mais próximo de uma amiga. Eu aproveitava
todas as oportunidades que apareciam para ir para a fazenda, para poder vê-la
e conversar com ela. Nós andávamos pela fazenda e eu sempre levava maçãs pra
ela, dava banho nela, fazia tudo que pudia. Foi nessa
época que escolhia a profissão que seguiria quando crescesse; queria ser
veterinária, cuidar dos animais, dos presentes que Deus nos deu.
No entanto, as circunstâncias da vida me
afastaram de minha amiga; comecei a estudar e fazer cursos, não houve mais tempo
para ir até fazenda, não tive escolha. Quando pude finalmente ir lá outra vez,
a Lilica havia morrido ao tentar dar à luz; não foi possível fazer
o parto sem machucá-la, ela perdeu muito sangue e não resistiu.
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