quarta-feira, 16 de março de 2016

Pique Pega (crônica)


           Sempre participei das brincadeiras de rua. Naquela época, em 2004, eram mais as tops. Eu era a menor da turma de treze amigos. Nunca me esquecerei dos nomes de meus amigos da rua, havia amigos de sete a doze anos.        
            Quase não passava carro na rua, ficávamos até altas horas brincando depois da escola. Na hora do pique pega sempre tinha uma amiga que me ajudava, senão sempre eu é que tinha que pegar. Mas, com a ajudinha de um e de outro, eu saía por cima. Lembro também de uma vez em que caí e enfiei o pé num buraco do canteiro, foi muito tenso, todos vieram assustados para ver o que havia acontecido. Na hora inchou muito, então, minha mãe fez um banho com muitas ervas e no outro dia acordei firme, pronta para outra.
            Ah, que saudades daquele tempo de crianças, quando brincávamos livres, inventávamos brincadeiras, nos machucávamos e sarávamos, sem frescura.  Nos dias de hoje, quase não se vê crianças nas ruas brincando. O uso indiscriminado das tecnologias, o medo provocado pela violência, entre outros, têm mudado o comportamento dos adultos e crianças; não existe infância como era antigamente.  



Gisely Aparecida de Souza (EE Guiomar de Freitas Costa, Uberlândia, MG) 

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