quarta-feira, 16 de março de 2016

O Leite (crônica)


  Era uma cidade boa de viver, mas na verdade eu estava à passeio. Numa manhã, minha linda e amada avó pediu-me para ir comprar um litro de leite, era uma manhã linda, com muito sol; nunca tinha saído pra rua naquela cidade, tudo era muito novo. Eu tinha exatamente sete anos de idade.Minha avó me explicou o caminho da padaria mais próxima e pediu para que eu prestasse bem a atenção. Fui toda alegre, cantarolando pelo caminho. Quando finalmente cheguei ao local de destino, pensei: “missão cumprida!”
Comprei o leite, quando penso que não, me vi parada na porta da padaria sem saber o que fazer; não lembrava mais o caminho de onde vim, comecei entrar em desespero; o coração bateu forte, mais forte e os olhinhos começaram a encher de lágrimas. Então, segurei a sacolinha de leite e comecei a deduzir o caminho e a andar. Estava com medo, sem alegria e não cantarolava mais. Assim, fui andando e andando e a casa de minha tia, onde estávamos hospedados, nunca chegava, parecia que eu estava andando há uma eternidade. Comecei a suar mais frio ainda, foi quando me vi aos prantos e gritando pela minha avó.
Subitamente, me deparei com um cemitério, o que me fez gritar de verdade. Então, uma mulher simpática e toda carinhosa perguntou o que havia acontecido, aos prantos tentei explicar tudo; ela ligou para o marido que trouxe o carro, assim, saímos,  andamos pela cidade inteira perguntando se alguém conhecia a Sra. Márcia Helena; ninguém sabia, o desespero dentro de mim só aumentava.
Estávamos andando há horas quando, de repente, reconheci o carro de minha avó, ela estava parada num posto de gasolina. Gritei e avisei a mulher que eu conhecia aquele carro; mas minha avó já tinha ligado o carro e saído a minha procura, foi uma correria doida pra alcançar a Sra. Márcia. Acredito que o marido daquela mulher nunca havia usado tanto a buzina do carro.
Enfim...
Minha avó me abraçou forte e agradeceu àquela mulher incrível por ter ajudado e me guiado pelo caminho certo. Nunca mais me esquecerei desse dia. Fomos pra casa, choramos de alegria e assim me senti aliviada. Pelo menos o leite chegou em casa!  



Ana Paula de Freitas (EE Guiomar de Freitas Costa, Uberlândia, MG)

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