Que saudade daquele
tempo bom que se foi, um tempo de inocência, de liberdade, de tal felicidade
que mal entendia. Eu era uma criança pobre de bens materiais, mas rica de amor
e saúde. Sempre gostei de lugares aventureiros e lá naquela fazenda herdada dos
meus avôs, vivíamos muitas aventuras. Fomos morar lá quando meus pais se
separaram, eu tinha entre cinco e seis anos de idade. Lá moravam também meus
três irmãos mais velhos, minha mãe e meu tio beato Pedro, esse que tenho ate
hoje como meu pai, sempre muito carinhoso e cuidadoso com a gente, ali ele
havia plantado há muitos anos um pé de pequi que outrora já era uma bela e
grande árvore, onde ele planejou e construiu um belo balanço. Nessa época meus
irmãos já estudavam, minha mãe trabalhava na cantina da fazenda e meu tio na
lida, então eu passava a maior parte do tempo só.
Naquele velho e
lindo pé de pequi, meu lugar preferido pra rir e chorar, eu passava horas
brincando, e gostava de subir bem no alto. Minhas brincadeiras preferidas eram
as de casinha e boneca. Hoje tenho tudo isso no real, e digo “é bem diferente
do que os sonhos de criança”. A cantina ficava bem próxima ao pé de pequi, e de
lá minha mãe me dava uma espiadela sempre. Certo dia, resolvi subir bem no alto
da árvore, estava um dia nublado e, de repente, começou aquela chuva inesperada
de verão, forte e voraz, e eu, lá em cima, comecei a gritar de medo e minha mãe
logo correu pra me socorrer, porém ela não conseguia subir na árvore e a
situação foi piorando, os galhos foram ficando escorregadios, meu Deus!
Jamais esquecerei aquele dia, o medo de cair foi
apavorando tanto eu quanto minha mãe. Quando vi que não iria conseguir ficar
muito tempo em cima do pé de pequi, falei pra mamãe ”eu vou cair!”, ela mais
rápida que um jato foi até o casarão, buscou um velho colchão de palha - espero
que vocês não se lembrem o quanto era desconfortável dormir em um colchão de
palha - e jogou no chão, no rumo onde eu estava e gritou “JESUS AJUDA” como
grita até hoje, eu, como um gato, pulei. Esse salto me rendeu vários roxos,
nada mais grave, no entanto, fiquei proibida de subir no meu lindo pé de pequi,
mas como toda criança levada eu continuei a subir sempre, pra rir, chorar, me divertir.
Época boa que me deixa saudades
Pâmela Martins (EE Guiomar de Freitas Costa, Uberlândia, MG)
Pâmela, que história fantástica, ri demais! Parabéns!!
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