quarta-feira, 16 de março de 2016

A menina e o pé de pequi (crônica)


Que saudade daquele tempo bom que se foi, um tempo de inocência, de liberdade, de tal felicidade que mal entendia. Eu era uma criança pobre de bens materiais, mas rica de amor e saúde. Sempre gostei de lugares aventureiros e lá naquela fazenda herdada dos meus avôs, vivíamos muitas aventuras. Fomos morar lá quando meus pais se separaram, eu tinha entre cinco e seis anos de idade. Lá moravam também meus três irmãos mais velhos, minha mãe e meu tio beato Pedro, esse que tenho ate hoje como meu pai, sempre muito carinhoso e cuidadoso com a gente, ali ele havia plantado há muitos anos um pé de pequi que outrora já era uma bela e grande árvore, onde ele planejou e construiu um belo balanço. Nessa época meus irmãos já estudavam, minha mãe trabalhava na cantina da fazenda e meu tio na lida, então eu passava a maior parte do tempo só.
Naquele velho e lindo pé de pequi, meu lugar preferido pra rir e chorar, eu passava horas brincando, e gostava de subir bem no alto. Minhas brincadeiras preferidas eram as de casinha e boneca. Hoje tenho tudo isso no real, e digo “é bem diferente do que os sonhos de criança”. A cantina ficava bem próxima ao pé de pequi, e de lá minha mãe me dava uma espiadela sempre. Certo dia, resolvi subir bem no alto da árvore, estava um dia nublado e, de repente, começou aquela chuva inesperada de verão, forte e voraz, e eu, lá em cima, comecei a gritar de medo e minha mãe logo correu pra me socorrer, porém ela não conseguia subir na árvore e a situação foi piorando, os galhos foram ficando escorregadios, meu Deus!
Jamais esquecerei aquele dia, o medo de cair foi apavorando tanto eu quanto minha mãe. Quando vi que não iria conseguir ficar muito tempo em cima do pé de pequi, falei pra mamãe ”eu vou cair!”, ela mais rápida que um jato foi até o casarão, buscou um velho colchão de palha - espero que vocês não se lembrem o quanto era desconfortável dormir em um colchão de palha - e jogou no chão, no rumo onde eu estava e gritou “JESUS AJUDA” como grita até hoje, eu, como um gato, pulei. Esse salto me rendeu vários roxos, nada mais grave, no entanto, fiquei proibida de subir no meu lindo pé de pequi, mas como toda criança levada eu continuei a subir sempre, pra rir, chorar, me divertir. Época boa que me deixa saudades



Pâmela Martins (EE Guiomar de Freitas Costa, Uberlândia, MG)

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